POPULAÇÃO

Divisão Etária:
Crianças e Adolescentes: 37%
Adultos: 49%
Idosos: 14%

Número de residentes: Cerca de 545 habitantes.
Número de eleitores recenseados: Cerca de 437 eleitores.

Em busca de melhores condições de vida, e à semelhança do que tem sucedido nos últimos séculos, regista-se uma considerável taxa de emigração entre a população activa de Lajes das Flores, desta feita, rumo ao Canadá e aos Estados Unidos da América (desde 1954).
No século XVIII, quando as populações das ilhas dos Açores se cansaram de sofrer a falta de quase tudo e decidiram procurar novos horizontes, o principal destino escolhido foi o Brasil.
Forçados pelas circunstâncias a sair da sua concha vulcânica, almejando alguns essa descoberta de outras terras, para além do mar que lhes trunca a imaginação e os passos, os açorianos não esquecem, no entanto, a ilha-refúgio em que nasceram e vão regressando, anualmente, quase sempre nas festas da sua Freguesia natal, para retomarem forças e reatarem laços que, nessas épocas especiais, são sempre de profunda identidade e partilha.
No entanto, a Freguesia também atrai o olhar e o desejo de naturais de outras paragens, pelo que acolhe, actualmente, cerca de vinte europeus, rendidos à pacatez da vida em Lajes das Flores.
Manifestamente, esta procura prova que o turismo é uma das mais promissoras portas para o futuro da região.

DESENVOLVIMENTO E TURISMO

Sectores Económicos: Até há alguns anos, a pesca da baleia foi o esteio da economia desta Freguesia, favorecida pelo porto natural onde a frota baleeira se fundeava, mas a ameaça da extinção do “maior animal do planeta” levou à proibição desta actividade e a população procurou outras ocupações. Conforme escreveu Pierluigi Bragaglia, “A epopeia baleeira concluiu-se definitivamente na década de 80, com as moratórias internacionais; o último cachalote nas Flores, número 2.000l e tal, em 120 anos de caça, foi arpoado a 24 de Novembro de 1981, já para além do Corvo”.
A agricultura, com o cultivo de batata, milho e produtos hortícolas; a pecuária, com criação de gado e produção leiteira; e a pesca de outras espécies, como a cavala, o congro e o cherne, são, hoje, as colunas que sustentam a comunidade, no sector primário.
Grande parte da população activa de Lajes das Flores encontra emprego na construção civil e em oficinas de reparação mecânica.
Em 1892, formou-se, na vila de Lajes das Flores, “Uma sociedade com fim de empreender a indústria de manteiga de vaca para exportação”, mas esta não sobreviveu além do mês de Outubro do ano seguinte. José Luís de Freitas instalou, em 1896, uma pequena fábrica de manteiga, na Caveira, freguesia de Santa Cruz das Flores onde residia, apesar de ser natural da Lomba. Os postos de desnatação e as fábricas de manteiga surgirem um pouco por toda a Ilha, levando ao alargamento da extensão das pastagens a alguns terrenos, até então, de cultivo. No entanto, o aumento do lucro da produção leiteira não reverteu em favor dos produtores, mas apenas dos industriais, injustiça que levou à fundação do cooperativismo e do sindicalismo no Concelho.
Após a criação do primeiro sindicado da Ilha, no Lajedo, em 1916, surge a Cooperativa Fructuária de Produção de Lacticínios dos Morros e Monte, em 1918. A sede deste sindicato inaugurou-se apenas no ano de 1931 e a sua denominação fixou-se como Cooperativa Agrícola de Nossa Senhora do Rosário, tendo alargado a sua acção às freguesias de Fajãzinha, Mosteiro e Lajedo.
A Cooperativa, que chegou a atingir um índice de produção anual de 30 toneladas de manteiga, manteve-se em actividade até Outubro de 1988 (70 anos de serviço, portanto), tendo encerrado as portas dois anos antes da fundação de uma segunda (e mais bem sucedida) União de Cooperativas Agrícolas da Ilha das Flores.
O sector terciário está, actualmente, bem representado nesta sede concelhia, pelo comércio e serviços, registando-se a existência de supermercado, talho, posto de combustível, unidades de alojamento, restaurantes e cafés, estação de correios, repartição de finanças, conservatórias, banca (balcões do Banco Comercial dos Açores e da Caixa Geral de Depósitos), transportes públicos (não diários), posto policial e corporação de bombeiros.

Meios de Acolhimento: Para melhor receber os visitantes e curiosos turistas, esta Freguesia dispõe de uma Pensão, uma Pousada (tel.: 292 593 547) e dos Apartamentos das ex-Rádio Naval de Lajes das Flores (marcações e reservas a efectuar na Câmara Municipal de Lajes ou pelo tel.: 292 590 800), um complexo turístico constituído por 19 moradias, devidamente equipadas e urbanisticamente integradas na área verde envolvente.

Desporto, Cultura e Lazer: Conscientes de que um bom programa desportivo e cultural beneficia o desenvolvimento integral de Lajes das Flores, as entidades competentes empenharam-se em criar as infraestruturas necessárias à sua inplementação na Freguesia, como campos de jogos, sala de espectáculos e biblioteca.

Um fervilhante espírito associativista fez surgir aqui algumas colectividades, que com muita competência e orgulho, efectuam um excelente trabalho, de promoção dos valores e talentos da sua terra natal.
Actualmente, partilham essa responsabilidade, o Sport Maritimo Lajense, o Grupo Desportivo de Lajes das Flores, a Associação Cultural Lajense, os Bombeiros Voluntários de Lajes das Flores, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Lajes das Flores e Os Foliões.

As Filarmónicas

A ideia de fundar uma Filarmónica, na vila de Lajes das Flores, remonta a 1885, esboçada num projecto integrado por João Maurício de Fraga, Lúcio Maurício da Câmara, José Pimentel Soares e José Francisco Pereira, que não singrou. Em 1902, efectuou-se uma segunda tentativa nesse sentido, sob a direcção de Jerónimo Lino de Freitas, e essa Filarmónica esteve em actividade durante cerca de dez anos.
Em 1932, surgia a Filarmónica Nossa Senhora do Rosário, fundada pelo professor Manuel da Silva Júnior e pelo padre José Francisco Soares, que se manteve em actividade até 1958. A estreia teve lugar, no dia 25 de Setembro de 1932, na festa da Padroeira, sob a regência do professor Manuel Silva Júnior. Em Abril de 1933, o santacruzense António Francisco Avelar foi admitido como empregado da Câmara Municipal de Lajes das Flores e assumiu as funções de regente da Banda, revelando-se um exímio executante de diversos instrumentos, nomeadamente, violino e cornetim. Foi um dos melhores maestros da ilha das Flores e também grande compositor, tendo deixado, na Freguesia, algumas das excelentes peças que compôs.
Foram músicos fundadores da Filarmónica os seguintes lajenses, assim distribuídos, Contrabaixo – António Rosa, Luís Narciso e António Fraga; Bombardinos – António Araújo e Luís Araújo; Trombones – João Fraga e Lázaro Inácio; Trompas – Francisco de Freitas Tomás, José Araújo, Luís de Freitas Tomás e António Luís; Clarinetes – José Gonçalves e Francisco Fraga; Flauta – Manuel Maria de Freitas; cornetins – Ernesto Garcia, Luís Fraga, Francisco Martins e José da “Ladeira Grande”; Bombo – António Lopes; Pratos – António José da Silva e António Cabeceira; Caixa – Caetano Araújo.
A Filarmónica teve farda apenas durante os primeiros anos da sua actividade e nunca possuiu estatutos legalizados nem sede própria, apesar dos seus muitos anos de carreira. Actuou nas festividades e em eventos vários de todas as freguesias das Flores, mas nunca saiu da sua Ilha.
Em 1963, coube ao padre Luís Pimentel Gomes, então pároco de Lajes das Flores, e presidente da comissão fabriqueira, proceder à sua última reactivação. Desta feita, a actividade da Filarmónica, sempre desenvolvida na ilha das Flores, manteve-se até 1967, ano em que cessou definitivamente.

Agrupamentos

- O Grupo Coral da Igreja Matriz de Lajes das Flores esteve quase sempre associado à vida daquela Filarmónica, uma vez que alguns dos elementos de uma colectividade eram comuns à outra.
- Em 1919, surgiu, em Lajes das Flores, o Clube Lajense, que ensaiou e apresentou, com grande êxito, diversas peças de teatro.
- Graças ao Dr. Francisco Urze Pires e ao Regente Agrícola António Simas de Azevedo, constituiu-se, em 1952, o Centro Recreativo Popular Lajense, destinado a actividades de interesse cultural e recreativo, como palestras, concertos musicais, bailes e jogos de sala.
Entre 1954 e 1955, o Clube criou e manteve uma Tuna, cujo repertório musical era de excelente qualidade.
- A Casa do Povo de Lajes das Flores organizou, entre 1975 e 1977, um Grupo Coral Infantil, sob a direcção de António Maria Gonçalves, que actuou em diversas localidades da Ilha.
- No ano de 1980, nasceu um Grupo Coral Polifónico, por iniciativa de António Maria Gonçalves, que exerceu a sua actividade, com grande sucesso, ao longo de cerca de uma década. De destacar, na sua carreira, uma deslocação aos Estados Unidos da América, em Maio de 1988, para diversas actuações em Stoughton, no estado de Massachusetts.
- Em 1997, surgiu a Associação Cultural Lajense, com o objectivo de defender e divulgar a cultura florentina. Nesse âmbito, logo criou o seu Grupo Folclórico e Etnográfico, que teve a sua estreia na Festa do Emigrante, naquele mesmo ano.
Presentemente, participa nas diversas festas da Freguesia, nomeadamente na Festa do Emigrante e nas Festas de Verão. Nas suas actuações, os elementos apresentam-se com trajes regionais autênticos, alguns com mais de 100 anos, caracterizando as figuras de antigamente.
- Os Foliões actuam nas “alvoradas”, durante as sete semanas de Pentecostes, e todos os seus elementos vestem “opas”.

O Futebol

A prática futebolística, em Lajes das Flores, nasceu, como é habitual, antes da sua organização oficial. Os jovens lajenses jogavam em relvas, junto da Cancela da Vila, ou junto ao porto, no terreno conhecido como “relva da Câmara”, ou em terrenos dos Morros e Monte, e nas proximidades dos locais onde, mais tarde, se fizeram os campos de futebol da Vila, na Terra Chã e nos Biscoitos. Como não havia dinheiro para botas próprias, havia quem jogasse de tamancos (sapatos de fabrico local, feitos de madeira cercada com arcos de ferro e coberta de cabedal) ou descalço.
Em 1931, João Gonçalves de Freitas, que regressava às Flores, depois de frequentar os Liceus de Angra do Heroísmo e da Horta, onde fora jogador dos juniores, no Fayal Sport Club, foi o grande dinamizador da modalidade, congregando os seus conterrâneos numa equipa que designou União Desportiva Lajense, mais conhecida por Brancos.
A primeira bola de cabedal, ou couro, das Flores foi adquirida por ele, meses depois do seu regresso à Ilha. Depois, o sapateiro “Tio” Chico começou a fazer bolas, com gáspeas de sapatos velhos, e ensinou o ofício a Humberto Vieira, o famoso Menano da equipa dos Brancos.
Para se reunirem as condições mínimas, fizeram-se os necessários trabalhos de desaterro e, a 5 de Março de 1939, teve lugar a inauguração oficial do primeiro campo de futebol de Lajes das Flores.
O jogo de abertura efectuou-se entre a equipa dos Brancos, constituída por João Gonçalves de Freitas, Humberto Vieira Menano, Sargento Pinheiro, António Cabeceira, José do Faial, David Vieira, Manuel de São Miguel, José Gomes, Virgílio Belém, João Freitas, Leitão e Antonico Brum; e a equipa dos Vermelhos, ou Nacional Sport Club das Lajes, formada por Ernesto Fraga (seu organizador), Aristides Machado, José Ilídio, João Fraga, Vasco Fraga, Mateus Fraga, António Fraga, Francisco Fraga, João Furtado, Aspirante Carvalho e Jorge Fraga. O resultado da partida ficou em 2-1, a favor dos Brancos.
Apesar da rivalidade que, ao longo dos anos, opôs estas duas equipas conterrâneas, sempre que havia algum jogo extraordinário, contra equipas de bordo de navios de guerra, contra a de Santa Cruz, ou outras, organizava-se uma selecção dos melhores jogadores de ambas.
O entusiasmo pelo futebol cresceu muito, entre a população, que apoiava e mimava os seus orgulhos. Faziam-se inclusive, segundo Jorge Gomes Fraga, “poemas alusivos aos jogos e às equipas”.
Apesar de se estar em plena segunda Guerra Mundial, na vila das Flores, jogou-se futebol até o Ministério da Marinha adquirir os terrenos do campo para a construção da Estação Rádio Naval das Flores, por volta de 1945. Aquela área integrou a respectiva expropriação, por recomendação de António José Soares, Chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Lajes das Flores, que tinha uma opinião desfavorável sobre a modalidade desportiva ali praticada, segundo o qual, “o futebol só servia para os rapazes estragarem roupas e calçados, e para perderem nele o tempo precioso dos seus trabalhos, para não falar nos danos que causavam nas culturas e nos terrenos quando neles realizavam jogos ou treinos”.
Em 1948, o futebol lajense conheceu novo fôlego, mas como as equipas não podiam recorrer ao seu campo, os treinos efectuavam-se em relvas e, para os jogos, deslocavam-se à freguesia da Fazenda.
Com a inauguração das casas de habitação e demais instalações da Rádio Naval, em Agosto de 1951, estavam criadas as condições para que os elementos da Rádio Naval fundassem uma equipa própria, deixando de integrar as duas existentes. Em pouco tempo, tornou-se possível jogar no campo de Lajes das Flores, mediante solicitação prévia de autorização, quer para a realização de treinos quer dos jogos.
Dos muitos jogadores que por lá passaram, referem-se apenas os que integraram a melhor equipa de sempre daquela formação, ou seja, Tomás, Lima, Virgílio Braga, Sousa, António Raimundo, Mateus Azevedo, Mendes, Lénine, Costa, António de Freitas Pezudo e Santana.
Na época de 1952/53, Luís Castelo, comerciante do lugar do Monte, impulsionou a organização de uma outra equipa, em Lajes das Flores, o Florense Futebol Clube. Era constituída por jogadores de elevada qualidade, recrutados nas Lajes, Fazenda e Fajã Grande, numa época em que as equipas daquelas localidades haviam abandonado a carreira.
Os treinos e jogos dos “Maus-Maus”, alcunha por que ficou conhecida a formação, realizavam-se no campo da Lomba, arrendado para o efeito. Durou pouco tempo, no entanto, esta equipa, porque, nas Lajes, reorganizaram-se as equipas dos Brancos e dos Vermelhos.
A reactivação dos Brancos foi breve, mas a dos Vermelhos ainda se manteve activa por bastante tempo, servindo-se do mesmo campo que a Rádio Naval, equipa que prosseguiu também na sua considerável carreira futebolística, até a Estação Rádio Naval ser encerrada.

Publicações

- O Jornal do Ocidente, propriedade de uma cooperativa formada nas Lajes, saiu, pela primeira vez, para as mãos dos lajenses, no dia 10 de Julho de 1987, durante a Festa do Emigrante. José de Freitas Silva foi o grande dinamizador desta publicação, de periodicidade mensal, e desempenhou, inicialmente, o cargo de seu director.
Em Janeiro de 1993, uma crise directiva colocou em causa a continuidade do jornal. Hélio Silva, presidente da assembleia-geral da Cooperativa Jornal do Ocidente assumiu as funções de director interino, durante dois meses, mas o tom de desalento da edição de Fevereiro deixava adivinhar a eminência do fim.
No número de 10 de Março de 1993, Gabriela Silva e António Maria Gonçalves tomavam posse dos cargos de directora e de director adjunto, respectivamente, mas, ao fim de sete meses de luta pela sobrevivência, o Jornal do Ocidente despedia-se definitivamente do seu público, na edição n.º 75, datada de 10 de Outubro de 1993.
Nascido com o propósito de ser uma alternativa ao quinzenário As Flores, acabou, curiosamente, por dar o seu nome ao suplemento que a sua última directora passou a editar naquela publicação.

- O Trabalhador, fundado em 27 de Outubro de 1888, perseguia os objectivos de “defender o povo em tudo...” e de ter “sempre em vista os melhoramentos do Concelho”. Intitulando-se folha democrática, apresentou-se em casa dos lajenses, avisando, no “Expediente” que, quem o recebesse e não devolvesse aquela edição inaugural seria oficialmente considerado seu assinante.
De periodicidade semanal, era editado por António Luís de Mendonça, seu proprietário, que, em finais de 1919, surgirá ligado à criação, na Ilha, do novo Partido Republicano Liberal.
A sua última edição consultável, a 85.ª, data de 21 de Julho de 1890, ano em que a sua publicação terá cessado.

Acção Social: Não descurando o bem-estar da sua população, a Freguesia mune-se de um Centro de Dia, mas impõe-se a necessidade de criar, brevemente, um Lar de Idosos.

Ensino: No âmbito da Educação, Lajes das Flores possui uma Escola Pública de Ensino Básico do Primeiro Ciclo.

Guia Turístico: Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, esta Freguesia oferece o seu património histórico, cultural e natural, de que se destacam, a Igreja Matriz; a Capela de Nossa Senhora das Angústias; os Impérios do Divino Espírito Santo (reconstruído em 1819 e em 1846), do Divino Espírito Santo dos Morros (construído em 1846) e do Divino Espírito Santo dos Montes (construído em 1868); o edifício da Câmara Municipal; os Chafarizes da Cruz, dos Morros e dos Montes, o Porto de Lajes das Flores; a Pedra dos Frades; a Estrada da Pedrinha; as Lagoas Rasas e Funda; a Fajã de Lopo Vaz; e os bonitos Vales circundantes.

- A Igreja Matriz e o mais interessante monumento da Freguesia. Da invocação de Nossa Senhora do Rosário, a sua construção iniciou-se em 1763 e ficou concluída em 1783. Ergueu-se no local onde estivera implantada a Ermida do Espírito Santo, para ali transferida, do porto, no século XVI. Destinou-se a substituir a velha Matriz, cujo chão deu, posteriormente, lugar ao actual cemitério.
Apesar de ter nascido em torno de uma Ermida de invocação do Espírito Santo, a paróquia das Lajes, fundada nos primeiros anos do século XVI, adoptou Nossa Senhora do Rosário por orago.
Desconhece-se a época a que remonta a primitiva imagem da Padroeira, mas sabe-se que foi restaurada, no Porto, em 1891, tendo regressado às Flores, abordo do paquete Açor, no mês de Novembro, facto que adiou a realização das suas festas, nesse ano, do mês de Outubro para o de Dezembro. Na mesma viagem, chegaram às Flores dois novos sinos para a Matriz das Lajes. A actual imagem da Padroeira data de 1950.
A Igreja Matriz foi reconstruída em meados do século XIX. Porém, logo em Dezembro de 1880, trabalhava-se na cantaria para o arco da capela, que foi elevada a 1,10 metros; em 1883, assentou-se o retábulo principal, sob a direcção do artista lisboense Manuel d’Oliveira; e, dois anos depois, o brasileiro J. Nunes Sobrinho procedia ao seu primeiro douramento.
Entre 1907 a 1910 foi novamente reparada, devendo-se aos carpinteiros locais António de Maurício de Fraga e Francisco José Pimentel, a realização dos retábulos laterais, no ano de 1908. O douramento destes, na década de 60, ficou a cargo do artista micaelense António Jacinto Carreiro.
Em 1953-1954, algumas das suas imagens foram submetidas ao restauro de escultura e de pintura; no ano de 1964, realizarem-se diversas obras no edifício e, em 1968, procedeu-se à pintura dos altares, tecto e ambão. A mais recente intervenção teve início em Maio de 1991 e consistiu, numa primeira fase, na reparação da armação e substituição do forro e da cobertura.
Do património da Igreja, merece destaque o lampadário do Santíssimo, um antigo ostensório e um cálice de prata oferecido pelo Papa Pio X, “em penhor de gratidão pelo bom acolhimento que os povos desta freguesia fizeram aos náufragos do Slavónia, arrojado à costa desta Ilha, em 10 de Julho de 1909”.
Possui também um interessante quadro do Baptismo de Jesus, pintado no primeiro quartel deste século por Filomena Albertina Mourão de Freitas, uma artista de projecção nacional, filha do professor António de Freitas, natural das Lajes, a quem se deve também o desenho da imagem de Nossa Senhora do Rosário para o azulejo do frontispício da Matriz.

- A Capela de Nossa Senhora das Angústias, datada de 1729, foi fundada por dois espanhóis, D. Pedro e D. Manuel, que naufragaram ao largo de Lajes das Flores e, apesar do grande perigo que sofreram, conseguiram salvar-se

- A Ermida do Espírito santo situava-se, segundo Diogo das Chagas, “ao sahir do Porto, que he hua calheta em que abicuão barcos” e havia sido “antigamente parochia da Villa que ahi estava, que depois de queimada se mudou pera cima, onde hoje está, e na mesma Igreja se fez esta hermida do mesmo orago, que antes tinha”. Tratar-se-ia, portanto, do primeiro Templo das Lajes, em volva do qual nasceu a futura Vila.
No lugar onde se erigiu a segunda Ermida do Espírito Santo construiu-se, mais tarde, a Igreja Matriz de Flores.

- O porto da Vila de Lajes das Flores é a mais importante infra-estrutura do Concelho e uma das maiores de toda a Ilha. Construção desde há muito reclamada pelos florentinos, foi edificadõ pela empresa Somague e inaugurado no dia 12 de Junho de 1994, durante o mandato de Albino Cristiano Gomes como Presidente da Câmara, um autarca que lutou arduamente pela sua realização e que, num discurso emocionado, afirmou acertadamente: “A deliberação da construção do Porto das Flores constará decerto entre os actos mais sublimes nos Anais das Obras Públicas construídas nos Açores em Autonomia”.
No entanto, esta obra continua, até hoje, incompleta e subaproveitada, por não possuir rede de frio, rampa de varagem para as embarcações de pequeno porte, cais de recreio e molhe electrificado, lacunas a colmatar o mais rapidamente possível, em benefício da Vila e de toda a Ilha.

- Em “Viagens na Nossa Terra”, João Vieira traça o seguinte roteiro das belezas da Freguesia: “Depois de visitar as duas lagoas, Funda e Comprida, regresse ao ramal que liga a Ribeira Grande. Passando pela encosta da Pedrinha (Lajes), terá uma visão paradisíaca das duas lagoas em baixo, cercadas de montanhas que vão dos seiscentos aos oitocentos metros de altitude. Na descida sobre as Lajes, vê-se a Caveira, Lomba, Fazenda e o vale das Lajes, coroado de montanhas.
A guarnecer o litoral, fica a crista da Rocha Alta, a maior falésia da Ilha, com cerca de quinhentos metros de altitude. (...) Visite a Igreja Matriz, os Paços do Concelho e a zona do Porto”
.

  Produção - Câmara Municipal das Lajes das Flores