| ORGÃOS
AUTARQUICOS
EXECUTIVO
DA FREGUESIA
Presidente:
Ulmano de Lima
Secretário: José da Silva Vieira
Tesoureiro: Filomena Maria Amaral Pacheco Branco
ASSEMBLEIA DE FREGUESIA
Presidente:
Hélio Francisco Hipólito M. Lima
1º Secretário: Ofélia Maria
T. Escobar Freitas
2º Secretário: Maria Teresinha Cabeceira
PARÓQUIA DE LAJES DAS FLORES
ORAGO: Nossa Senhora do Rosário
HISTORIAL
Lajes das Flores, bonita vila costeira e piscatória,
é sede do Concelho com o mesmo nome, um dos dois (o outro
é Santa Cruz, de cuja sede dista 25 quilómetros) constituídos
na ilha das Flores. Com uma área de 18,45 quilómetros
quadrados, estende-se ao longo da ponta sul do Concelho e da Ilha,
e engloba os lugares e sítios de Jogo da Bola, Monte, Morros,
Outeiro Negro, Pátio Grande, Ribeira Seca e Vila de Baixo.
A primeira iniciativa de povoamento da Ilha é atribuída,
por alguns, ao flamengo Wilhelm, e por outros, a Guilherme da Silveira,
mas o certo é que o entusiasmo inicial desse primeiro colonizador
foi refreado pelo isolamento da região e pela relativa pobreza
do solo. Outros povoadores se seguiram, no entanto, mais persistentes
e, em 1510, já Lajes das Flores constituía uma significativa
povoação. O seu desenvolvimento, beneficiado pelo
pequeno porto natural, que oferecia excelentes condições
de atracagem às embarcações, justificou, cinco
anos mais tarde, a sua elevação à categoria
de Vila.
Pouco tempo depois, era instituída a segunda Vila da Ilha,
Santa Cruz, e a rivalidade instalava-se entre as duas sedes concelhias,
mas o facto de se situarem numa pequena Ilha, longe dos interesses
de Portugal Continental, truncou-lhes o crescimento, durante vários
séculos.
Em 1869, o Governador Santa Rita opinava que a ilha das Flores “não
comporta a existência de dous municipios”, e que,
no caso da ilha do Corvo, “uma administração
parochial é quanto basta àquelles povos”,
uma vez que este concelho, “na actualidade, em vez de
lhe ser benéfico, é um pesado encargo de que ella
ardentemente deseja ver-se libertada”.
Relativamente às Flores, cujos concelhos “já
actualmente se acham annexados para serem regidos pelo administrador
do Concelho de Santa Cruz, e bem assim para o serviço da
Fazenda e Judicial”, Santa Rita nota ainda que a extinção
do concelho de Lajes das Flores “encontra uma forte repugnancia
nos habitantes da Villa, sua sede”, mas sublinha também
que “na divisão territorial decretada em virtude
da Lei de 24 de Junho de 1867, as duas ilhas das Flores e Corvo
ficavam constituindo um só concelho, e é muito natural
que esta seja a sua sorte futura”.
De facto, a situação vaticinada por Santa Rita realizou-se
em 1895, pelo decreto de 18 de Novembro, publicado no Diário
do Governo do dia seguinte, que suprimiu, entre outros, os concelhos
de Lajes das Flores e do Corvo. Esta decisão foi, certamente,
influenciada pelo pedido que a Câmara Municipal de Santa Cruz,
na época, sob a tutela de membros do partido regenerador,
dirigiu ao Governo, visando a supressão do seu Concelho vizinho.
Pouco depois, o poder, na Capital, mudou de mãos e, a 13
de Janeiro de 1898, foram restaurados os concelhos anteriormente
destituídos.
Em sessão de 17 de Março do mesmo ano, a Câmara
Municipal de Lajes exarou um voto de louvor ao Ministro do Reino,
pela restauração do seu Município, “cuja
autonomia era reclamada pelos povos em geral de todo o Concelho”
, e deliberou “que o largo d’esta Villa chamado
Largo do Município passasse a ser chamado Largo do Ex.mo
Conselheiro José Luciano de Castro”.
Lajes registou, finalmente, um avanço notório, a partir
de meados do século XX, graças à edificação
de algumas infraestruturas de grande porte, como o porto comercial,
há muito reivindicado.
Devido à sua localização geográfica,
a Freguesia desempenhou um papel fundamental na orientação
dos navios que demandavam os Açores, por isso, se lê,
na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o
seguinte: “na ponta das Lajes, na costa sul da Ilha, tem
um farol, com alcance de vinte e nove milhas e visibilidade de 234º
a 83º, por oeste e norte, respectivamente. Nesse farol, encontra-se
instalada a Estação Rádio Naval das Lajes,
que é, conjuntamente, o posto 035 da rede dos Serviços
Metereológicos da Marinha. Destina-se essa estação
à assistência, em telefonia, aos navios bacalhoeiros,
durante a sua campanha, transmitindo-lhes as previsões do
tempo que lhe são fornecidas pela Estação Radiometereológica
da Marinha no Atlântico, de que está dependente.
Funcionando como radio-farol para a navegação marítima,
durante os nevoeiros, e para a navegação aérea,
sempre que esta entra dentro do seu alcance, presta-lhes assistência
radiotelegráfica durante todos os voos e envia-lhe indicações
do tempo local sempre que lhe são solicitados”.
Depois de estar ao serviço durante mais de quarenta anos,
deixou de funcionar ao mesmo tempo que a base francesa de telemedidas,
em Santa Cruz.
Naturalmente, nos tempos que correm, a actividade quotidiana da
Ilha ainda gira em torno das rivalidades entre as Lajes e Santa
Cruz, entre o Porto de uma e o Aeroporto de outra.
Inicialmente, a povoação
de Lajes das Flores estendia-se da Ribeira da Silva à Fajã
Grande e englobava os lugares de Nossa Senhora dos Remédios
das Fajãs (independente em 1676), Lajedo, Caldeira, Mosteiro,
Fajãzinha, Fajã Grande e Fazenda (desanexada apenas
em 1919).
Abundam as descrições da Vila, embora algumas sejam
assaz lacunares. Aqui se privilegiam a do Padre Cordeiro, pela sua
exactidão, e a do Padre José António Camões,
pela minúcia com que se lhe dedicou.
O primeiro escreveu, na História Insulana, o seguinte:
“Daqui para o Norte, está a nobre, & fecunda
Villa das Lajes, & já em nada sujeita à Villa
de Santa Cruz: consta de muito mais de trezentos fogos, & de
duas grandes Companhias, & dous Capitães de ordenança,
& hum Capitão mor da Villa, & seu termo; e consta
de hua grande rua, & muytas travessas; & tem diante de si
para o mar alguns bayxos perigosos aos que quizeram acometer a Villa,
& fica já mais de duas legoas do sobredito lugar de São
Pedro. A Matriz desta Villa he da invocação de Nossa
Senhora do Rosário, com Vigario, & algumas familias nobres,
como em seu lugar diremos. (...)
Já houve comtudo ocasição (em 25 de Julho de
1587, há quasi cento & trinta annos) que cinco navios
Inglezes enganadamente entrarão na Villa das Lajes, &
a saquearão, fugindo os moradores para os matos; mas atèagora
lhes não succedeo outra, pela vigia que sempre ao diante
tiverão: & nem se sabe de fogo, terramoto, peste ou guerra
que houvesse nesta Ilha atègora”.
Quando ao segundo historiador, no Roteiro Exacto da Costa da
Ilha, conta que “tem aquella Villa o porto a susueste;
tem para fora uma baia com ancoradouro de areia. Continuando do
dicto porto para sull nascem em uma rocha varias fontes juntas,
a que chamão os Canos d’agoa, e que se diz procederem
da caldeira funda, como acima fica notado. Continuando, segue-se
a sul uma fajã chamada a Fajã de Loppo Vaz, que dizem
ser o primeiro que pôs os pés nesta Ilha. Produsindo
esta fajã todo o genero de comestiveis, tem uma particularidade
notavel, que é ficarem as sementes de um ano para o outro
em caseiras d’abobora, bogango, melão, melancia, cabaça,
etc. e no anno seguinte, sem nova cultura, produsem como as que
tivessem sido cultivadas. Há nesta Fajã um pequeno
porto muito ridículo, chamado o porto de Inglez. (...)
Começa, como acaba de dizer-se o destricto da Villa das Lajens,
na ribeira do Fundão ou dos Ladroens, e continuando para
o Sul, em distancia pouco mais ou menos de meia legua havia antigamente
uma povoaçãozinha só com 2 fogos chamada a
Ribeira da Lapa, que já hoje está deserta. (...)
Seo Orago é Nossa Senhora do Rozario, com Vigario que tem
de ordenado 7 moios, 4 alqueires de trigo e 8$000 réis. Tem
mais, a capela dos Castelhanos edificada em 1741, etc.. Há
nesta Villa 75 fogos em que residem 486 almas, a saber 240 homens
e 246 mulheres. Tem 35 casas de telha e 17 homens calçados.
Tem 2 companhias de ordenança. A 1ª formada na Villa,
Monte e Morros, com 1 capitão, 1 alferes, 2 tenentes, que
foram de fortes, dois sargentos e 170 soldados, a 2ª formada
na Fazenda, Lajedo e Mosteiro, com 1 capitão, 1 alferes,
1 tenente, 3 sargentos e 147 soldados, a saber, 77 na Fazenda, 36
no Lajedo e Costa, e 34 no Mosteiro e Caldeira.
Tem um castello no porto da Villa com casa e guarda e 9 peças,
e mais 2 fortes, um delles em um cerrado sobre uma rocha, sem casa,
e 1 peça”.
Na Freguesia, existiu, em tempos, um forte, denominado de Santo
António, que defendeu, com bravura, toda a Ilha, dos ataques
de dois navios americanos, no ano de 1770.
Lajes das Flores gere a responsabilidade de ser sede do segundo
menos povoado Concelho português (a seguir ao Corvo), mesmo
que, neste início de século, se apresenta na firme
disposição de garantir um lugar entre as localidades
mais desenvolvidas do País.
Situada no extremo ocidental da Europa, a Vila é, mais do
que nunca, o primeiro baluarte do Velho Mundo, a receber
quem chega do vizinho Novo Mundo.
Pelo seu desenvolvimento harmonioso, pelo seu equilíbrio
natural e humano, pelo verde mais puro e pelo mar mais azul, esta
região é bem um exemplo do paraíso e da eterna
utopia que devia ser a Terra, para todos os homens de boa vontade.
Símbolos
Heráldicos (Edital de 2 de Janeiro de 2002)
Brasão - escudo de prata, duas hortênsias
de azul, com pé e folhas verde, postas em pala e alinhadas
em faixa, entre duas bilhetas de vermelho, em chefe, campanha ondada
de verde e prata de cinco tiras. Coroa mural de prata de três
torres. Listel branco, com a legenda a negro: “FREGUESIA
DE LAJES DAS FLORES”.
Bandeira - de vermelho. Cordão e borlas
de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.
Selo - nos termos da lei, com a legenda: “JUNTA
DE FREGUESIA DE LAJES DAS FLORES”.
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