| POPULAÇÃO
Divisão
Etária:
Crianças: 9,3%
Adolescentes: 9,3%
Adultos: 61%
Idosos: 20,4%
Número
de residentes: Cerca de 108 habitantes.
Número de Eleitores Recenseados: Cerca de
88 eleitores.
Em
busca de melhores condições de vida, e à semelhança
do que tem sucedido nos últimos séculos, regista-se
uma considerável taxa de emigração entre a
população activa de Lajedo, desta feita rumo ao Canadá.
No século XVIII, quando as populações das ilhas
dos Açores se cansaram de sofrer a falta de quase tudo e
decidiram procurar novos horizontes, o principal destino escolhido
foi o Brasil. Mais tarde, na centúria seguinte, seria na
imensidão dos Estados Unidos da América que grande
parte dos emigrantes do Arquipélago buscaria a riqueza necessária
para viver com dignidade e conforto.
Forçados pelas circunstâncias a sair da sua concha
vulcânica, almejando alguns essa descoberta de outras
terras, para além do mar que lhes trunca a imaginação
e os passos, os açorianos não esquecem, no entanto,
a ilha-refúgio em que nasceram e vão regressando,
anualmente, quase sempre nas festas da sua Freguesia natal, para
retomarem forças e reatarem laços que, nessas épocas
especiais, são sempre de profunda identidade e partilha.
No entanto, deve referir-se que Lajedo, vivendo ainda na era pré
consumista, é uma Freguesia paradisíaca, para quem
já se cansou da esterilidade da vida citadina. Cita-se o
exemplo de três cidadãos franceses que aqui se fixaram,
optando por uma vida mais tranquila, e se dedicam à lavoura
e ao artesanato.
DESENVOLVIMENTO E TURISMO
Sectores
Económicos: A economia local tem, por bases, a pecuária
e a agricultura, com o cultivo de milho, batata e produtos hortícolas,
mas num regime de subsistência, uma vez que apenas alguns
agricultores apostam na aquisição de máquinas
agrícolas e num aumento significativo da produção
leiteira. Para complementar o rendimento familiar, alguns trabalhadores
dedicam-se, para além destas actividades, a ofícios
da construção civil, como trolha, carpinteiro ou canalizador.
A pesca, o pequeno comércio e o artesanato empregam uma pequena
parcela da população activa de Lajedo.
O fabrico artesanal de manteiga em lata teve, em tempos, algum peso
na economia local, mas a Cooperativa Agrícola viu-se forçada
a fechar as portas, na década de 70, devido à grande
competitividade do sector.
Ensino:
No âmbito da Educação, a Escola Pública
de Ensino Básico do Primeiro Ciclo de Lajedo não se
encontra, actualmente, em funcionamento, porque o número
de crianças em idade escolar não o justifica. As poucas
existentes são, assim, forçadas a deslocarem-se diariamente
à sede concelhia, para assistirem às aulas.
Guia
Turístico: Para satisfazer a sede de cultura dos
seus visitantes, esta Freguesia oferece o seu património
histórico, cultural e natural, de que se destacam, a Igreja
Paroquial, construída em 1771, graças a José
Francisco Mendonça, e totalmente restaurada em 1823; a Casa
do Espírito Santo, datada de 1885; a Nascente
de Água Quente, com Fumarolas,
no lugar de Costa; a Rocha dos Bordões;
o Pináculo; a Ponta dos Ilhéus
e as Pontas Negras.
Lajedo
é uma terra de grandes belezas e de muitos atractivos naturais.
Toda a Freguesia está, aliás, envolta num misticismo
muito próprio. Encoberta por elevados picos e cristas rochosas,
estende-se por um fértil vale, de onde se avista o mar da
vertente sul da ilha das Flores.
No lugar de Costa, encontra-se a única nascente de água
quente da Ilha. Esta manifestação de água termal,
a que se dá o nome de “poceirão da água
quente”, encontra-se acerca de mil metros do fim da estrada.
Passa-se, antes, pelo ilhéu de Barro e pela rocha do Barreiro.
Do lado esquerdo, situa-se o ilhéu da Greta, e do direito,
o Forcado.
Nos Anais dos Municípios das Lajes, de 1970, diz-se
que estas águas termais são boas para o tratamento
do reumatismo e de algumas doenças cutâneas. A sua
temperatura é tão elevada que permite cozer peixe
ou lapas, que adquirem um sabor único.
Freguesia costeira, mas isolada, agrícola mas também
piscatória, Lajedo não consegue fixar a sua população,
mas possui atractivos suficientes para agradar aos turistas menos
comodistas e a quem esteja cansado de viver sem ar puro para respirar.
No trabalho “Viagens na Nossa Terra”, João
Vieira traça o seguinte itinerário: “Ao
chegar à estrada nacional, volte à direita, percorrendo
a recta das Lajes, quase uma légua de estrada totalmente
florida e plana. Sobre o Lajedo, admire o dick do Campanário,
curiosa forma geológica, única pela sua dimensão,
na região. Do lado da terra, à sua frente, ficam as
costas da rocha dos Bordões – monumento geológico
de beleza singular, ex-líbris da ilha. Seguindo a estrada,
na base da rocha dos Bordões, numa curva encoberta por um
renque de criptomérias, descobre-se uma delicada cascata
que se lança entre arbustos, fetos e flores. No final da
estrada, o miradouro da rocha dos Bordões, com gigantescos
prismas de basalto. Dois dicks de grandes dimensões parecem
ter emergido do verde das pastagens, bordadas de hortênsias
e guarnecidas por faias e incensos”.
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