| Padres
que nasceram e paroquiaram na freguesia da Fazenda:
O
Padre Francisco Pimentel de Sousa (1911-1982),
natural de Fazenda, era filho de António Furtado de Sousa
(agricultor) e de Maria Pimentel de Sousa (doméstica).
Ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, em Outubro
de 1925, quando tinha 14 anos de idade, onde se revelou um aluno
dedicado e bem relacionado com colegas e professores. Recebeu a
ordem de presbítero em 23 de Junho de 1935, na Igreja da
Sé de Angra do Heroísmo, e celebrou a sua Missa Nova,
em 1 de Julho seguinte, na Igreja de Santo Cristo dos Milagres da
freguesia da Fazenda, em ambiente solene e festivo. Aqui viria a
permanecer durante cerca de um ano, onde era conhecido por «Padre
Laranjeira», alcunha herdada de família.
Em 1936, foi colocado na freguesia da Candelária, concelho
da Madalena, ilha do Pico, onde se manteve durante dois anos; e,
em 1938, foi transferido para a paróquia de Ribeira Seca,
concelho da Calheta, da ilha de São Jorge, onde também
permaneceu cerca de dois anos.
Regressou à ilha do Pico, em 19 de Janeiro de 1941, sendo
então transferido para a freguesia de Calheta do Nesquim,
onde se manteve durante cinco anos. Depois de ter recusado a sua
nomeação para a freguesia da Ribeirinha, concelho
de Angra do Heroísmo, e de ter decorrido um processo com
decisão proferida pela Santa Sé, deixou de exercer
o sacerdócio, incompatibilizando-se assim com a hierarquia.
Durante aproximadamente quatro anos, manteve esta situação
e, para se sentir útil, exerceu as funções
de Professor de Instrução Primária, na freguesia
da Piedade, e desempenhou igualmente o cargo de Presidente da Câmara
Municipal do concelho de Lajes do Pico. No exercício destas
funções suplementares, foi considerado muito atencioso
e simpático para com a população, apesar de
algumas antipatias resultantes dos boatos que provocaram a sua transferência
imposta pela Diocese.
Em 1953, foi colocado na Casa de Saúde de São Rafael,
em Angra do Heroísmo, onde desempenhou as funções
de Capelão durante quase dois anos. No ano seguinte, exerceu
também as funções de sacerdote no curato do
lugar da Casa da Ribeira, concelho de Vila da Praia da Vitória,
onde se manteve o resto da vida, concluíndo, assim, uma actividade
sacerdotal dedicada e competente.
Mantinha uma excelente relacionamento com os seus paroquianos, pelo
que recebia deles muitas ajudas e outros gestos de simpatia, e gozava
de um bom ambiente social. Empenhava-se muito no brilhantismo e
na solenidade das festas religiosas da Paróquia, bem como
na formação da juventude da localidade. Como se tratava
de um excelente orador, foi sempre muito solicitado para proferir
sermões e integrar conferências, para os quais se preparava
com muito cuidado e atenção. Era dotado, ainda, de
conversa fácil e agradável, evidenciando uma disponibilidade
simpática e aprazível para todos os que a ele recorriam
ou com ele conviviam, destoando da impressão austera que
de início aparentava, quando era abordado por alguém.
Faleceu a 18 de Março de 1982.
O Padre Luís Pimentel Gomes (1914-1986),
natural desta Freguesia, era filho de Francisco Pimentel Gomes (agricultor)
e de Maria do Livramento Gomes (doméstica).
Quando tinha 14 anos, ingressou no Seminário de Angra do
Heroísmo, onde manifestou ser bom aluno. Não obstante
a sua clara timidez e o seu feitio introvertido, tinha para com
os seus colegas e professores, um excelente relacionamento.
Foi ordenado sacerdote, em 11 de Junho de 1939, na Sé Catedral
de Angra, e realizou a sua Missa Nova, em 16 de Julho, na Matriz
da sua terra natal.
Em Janeiro de 1940, foi nomeado vigário da Fajã dos
Vimes, concelho de Calheta de São Jorge, onde se manteve
até 1942, ano em que foi transferido para a paróquia
de Ribeira Seca, do mesmo Concelho. Aí desenvolveu uma intensa
e brilhante actividade sacerdotal, expandindo a diversidade activa
da sua juventude e das suas convicções religiosas,
durante um período de cinco anos.
Com o falecimento do Padre Francisco Cristiano Korth, em 1946, da
paróquia de Fazenda; e do Padre José Francisco Soares,
no ano seguinte, da paróquia de Lajes das Flores; o Padre
Luís Gomes foi transferido para aquela Freguesia, em 25 de
Dezembro de 1947, assumindo também o cargo de ouvidor do
Concelho.
No mês de Novembro de 1949, foi colocado na vila de Lajes
das Flores, onde se manteve até 22 de Janeiro de 1986, data
em que ocorreu o seu falecimento.
Por onde passou, realizou sempre uma boa actividade sacerdotal que,
contudo, com o decorrer dos anos, se foi esvaindo por diversas razões.
Nestas terão estado um certo interesse material que o terá
sensibilizado nesse sentido, talvez originado pelas poucas receitas
paroquiais, sobretudo a partir da década de 60, bem como
pelo agravamento do seu estado de saúde e do seu precoce
envelhecimento.
Devido ao seu feitio reservado, certamente agravado pela doença
que desde cedo o começou a atormentar, nos últimos
anos da sua vida, já não gozava da popularidade e
simpatia que tinha anteriormente. Era, contudo, bastante culto e
conhecedor dos diversos temas das actividades em que se envolvia,
já que, para além de possuir uma base cultural muito
boa, preparava-se convenientemente para as enfrentar com zelo e
competência.
O
Padre José Vieira Gomes (1915-1989), nascido
nesta Freguesia a 13 de Março, era irmão do Padre
Fernando Vieira Gomes.
Em Outubro de 1929, ingressou no Seminário de Angra onde
se revelou um aluno aplicado e disciplinado.
Foi ordenado sacerdote na Sé de Angra, em 11 de Junho de
1939, tendo celebrado a sua Missa Nova na Matriz da sua terra natal,
em 9 de Junho desse mesmo ano.
Em 10 de Janeiro de 1940, deu início à sua vida sacerdotal
na pequena ilha do Corvo, onde permaneceu até Novembro de
1942, data em que foi transferido para a freguesia de Ponta Delgada
(concelho de Santa Cruz das Flores), onde se manteve durante cerca
de sete anos.
A 28 de Novembro de 1949, viria a ser colocado na sua Freguesia
natal que, na época, ainda funcionava como curato.
A seu pedido, viria ser transferido, em 30 de Junho de 1965, para
a paróquia de Santa Clara, na ilha de São Miguel,
onde se manteve como vigário-cooperador.
Em 8 de Outubro de 1973, foi nomeado pároco da freguesia
de Vila Nova (Vila da Praia da Vitoria) e, em 6 de Fevereiro de
1978, paroquiava a freguesia de Santo Amaro do concelho de Velas
(São Jorge).
Em 3 de Julho de 1986, era colocado novamento na ilha das Flores,
mas desta vez, na paróquia da vila das Lajes, função
que acumulou com o serviço religioso da freguesia da Lomba.
Fazia transparecer uma grande satisfação quando se
encontrava com muitos dos seus antigos paroquianos e amigos, parecendo
gozar de uma excelente saúde para a sua idade, dando um aspecto
jovial e alimentando sempre ideias para a realização
de projectos na sua nova paróquia.
Num curto espaço de tempo, a sua morte ocorreu a 17 de Janeiro
de 1989, surpreendendo todos os que conheciam o seu dinamismo e
a normalidade da sua vida sacerdotal em Lajes das Flores, onde demonstrava
jovialidade nas acções que conseguia desenvolver.
Era ainda um grande conhecedor da arte musical e um praticante da
caridade. Por onde passou, deixou sempre marcas de caridade e de
generosidade que definiam a sua bondade, não obstante a forma
humilde como vivia.
O Padre Fernando Vieira Gomes (1922), nascido a
8 de Dezembro, na freguesia da Fazenda, é filho de José
Pereira Gomes (agricultor) e de Maria da Conceição
Vieira Gomes (doméstica).
Entrou para o Seminário de Angra, em Outubro de 1938, onde
revelou ser um aluno aplicado e disciplinado. Em 12 de Junho de
1949, foi ordenado sacerdote, pelo Bispo D. Guilherme Augusto da
Cunha Guimarães, na Sé Catedral de Angra do Heroísmo.
Celebrou a sua Missa Nova em Julho desse mesmo ano, na Matriz da
sua terra natal.
Em 8 de Dezembro, foi colocado como vigário cooperador no
curato de Santa Clara. Graças ao seu empenhamento em face
do crescente aumento da sua população e a outras condições
indispensáveis para o efeito, Santa Clara viria a ser elevada
a Paróquia, conforme decisão de 8 de Maio de 1957,
do Bispo D. Manuel Afonso de Carvalho.
Dedicado à sua actividade sacerdotal, altamente trabalhosa
e difícil de executar, em face da dimensão da Paróquia
(4.000 habitantes) nunca lhe sobrou muito tempo para actividades
secundárias, nem disposição para aceitar as
mudanças de Paróquia que lhe foram oferecidas.
Assim, sempre se manteve na freguesia de Santa Clara, nela se realizando
profissionalmente, com dedicação e competência,
como o reconheceram vários dos seus paroquianos.
Em 10 de Julho de 1999, na freguesia da Fazenda de Lajes das Flores,
sua terra berço, comemorou as suas Bodas de Ouro Sacerdotais.
Sempre muito dedicado e humilde, cultivou e mantém ainda
óptimas amizades na ilha de São Miguel, quer na sua
paróquia, onde é respeitado e admirado, quer noutras
localidades, graças ao seu feitio aberto e comunicativo.
É um observador atento das actualidades noticiosas, mantendo
com os seus amigos um excelente diálogo sobre as mesmas,
tanto mais que é um excelente conversador, sempre simpático
na forma clara e preciosa como aborda os diversos temas em análise.
O
Padre José Alves Trigueiro (1935), nascido
em 18 de Abril, na freguesia da Fazenda (Lajes das Flores), é
filho de João de Freitas Trigueiro (falecido quando ele ainda
era criança) e de Vitória Martins Alves Trigueiro
(proprietária de uma pequena exploração agropecuária).
Em Outubro de 1947, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo,
onde se distinguiu como um aluno dedicado e disciplinado. Completou
os estudos em Maio de 1959 e, em 7 de Julho, foi ordenado presbítero
na Sé Catedral de Angra. Em 19 de Julho do mesmo ano, viria
a celebrar a sua Missa Nova, na Matriz da Fazenda.
Em Outubro desse ano, voltou a Angra, onde frequentou um curso de
Pós-Seminário, sob a orientação do Vigário
Geral da Diocese, Monsenhor José Pereira da Silva. Seguidamente,
em 17 de Novembro, foi nomeado Prefeito de São Luís
Gonzaga e professor do Seminário na disciplina de História
Universal, cargos que exerceu com eficiência durante um ano.
Em Agosto de 1960, foi colocado como vigário cooperador de
Santa Cruz das Flores, onde fixou residência, em 29 do mês
seguinte, na casa onde viveu o grande poeta Roberto de Mesquita.
Aí funcionava também o Externato da Imaculada Conceição,
no qual, durante oito anos, foi professor de diversas disciplinas.
Durante seis anos, foi também Director desse Externato (1962-1968).
Foi transferido para a cidade da Horta onde, em Novembro de 1968,
foi colocado como Capelão de São Francisco e professor
de Religião e Moral, no Liceu Nacional da Horta e na, então
recém-criada, Escola Preparatória da Horta.
Em 1 de Outubro de 1969, fez a sua entrada solene na Igreja da paróquia
de Santa Bárbara das Ribeiras (Lajes do Pico), onde permaneceu
como pároco durante vários anos, serviço que,
durante algum tempo, desempenhou também na freguesia da Calheta
de Nesquim.
Em 3 de Novembro de 1976, passou a acumular oficialmente o serviço
sacerdotal da Matriz de Lajes do Pico, onde substituiu o padre António
Cardoso, realizando ainda igual serviço no lugar das Terras
dessa mesma Vila.
Transferido para a ilha Terceira, em 2 de Setembro de 1979, tomou
posse do cargo de pároco das freguesias dos Biscoitos e das
Quatro Ribeiras, (ambas do concelho de Angra do Heroísmo).
Por Provisão de 23 de Julho de 1991, viria a ser nomeado
pároco das paróquias dos Altares e do Raminho, fixando
então residência no Passal dos Altares, onde ainda
se mantém.
Entretanto, de 1979 a 1983, foi professor da Escola Preparatória
da Vila da Praia da Vitória, onde leccionou a disciplina
de Moral. A partir de 1983, passou a exercer as mesmas funções
na recém-criada Escola Preparatória dos Biscoitos,
onde se aposentou em 1996.
Possui uma excelente cultura obtida sobretudo através do
estudo, da experiência e das muitas viagens que fez, beneficiada
e actualizada sempre com a sua constante ânsia de saber. Por
todos esses motivos, é um observador atento das actualidades
noticiosas, as quais acompanha e comenta interessadamente com os
seus familiares e amigos.
Para
além de outros fazendenses, destinguiram-se ainda José
de Freitas Pimentel e António de Freitas Pimentel, cujos
descendentes doaram a esta Junta de Freguesia a casa onde os mesmos
nasceram, na qual se encontra instalada a Casa do Artesanato.
O
Dr. José de Freitas Pimentel (1894-1920),
médico e mártir do dever, nascido a 15 de Fevereiro,
era filho de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário
Trigueiro Pimentel.
“Licenciou-se em medicina, pela Universidade de Medicina
de Lisboa em 1917. Segundo escreveu Marcelino Lima no Jornal «
Democracia », de Janeiro de 1920, em nove anos cursou e formou-se
em medicina. Depois de exercer medicina na vila do Cadaval e na
vila de Lajes das Flores, em 1919 foi professor da Escola Primária
Superior da cidade da Horta, onde igualmente exercia medicina.
Para debelar o surto de «Peste Pneumónica» surgido
em Dezembro de 1919 na Madalena do Pico, onde os serviços
de saúde do distrito se haviam desinteressado do problema
, deslocou-se a essa vila tendo com as autoridades locais isolado
a perigosa doença, que dela viria a ser vitima mortal. Falecera
com apenas 25 anos de idade, em 1 de Janeiro de 1920.
A sua coragem e obnegação impressionaram todos os
que souberam da sua acção. Os jornais do distrito
da Horta dedicaram-lhe as suas primeiras páginas e a Câmara
Municipal da Madalena prestou-lhe justa homenagem, atribuindo o
seu nome a uma rua da Vila e colocando uma fotografia sua no salão
nobre do Concelho.
Os seus amigos homenagearam-no com um jazigo construído em
mármore no Cemitério da Madalena com a seguinte e
significativa inscrição: « DR. JOSÉ DE
FREITAS PIMENTEL, POBRE DE BENS, RICO DE TALENTO, MÁRTIR
DO DEVER, FALECEU EM 1/1/1920. MARIA DA GLÓRIA DUARTE, SUA
DESVELADA ENFERMEIRA, EXEMPLO DE ALTRUÍSMO, VÍTIMA
DA SUA ABNEGAÇÃO, FALECIDA EM 8/1/1920. TRIBUTO DA
SUA ADMIRAÇÃO PELA FORMA HERÓICA COMO SOUBERAM
MORRER NO COMBATE À EPIDEMIA EM 1920. OS SEUS AMIGOS DO FAIAL,
FLORES E PICO».”
(José Arlindo A. Trigueiro, Horta, 14 de Junho de 1999)
O Dr. António de Freitas Pimentel (1901-1981),
médico e político, nascido a 15 de Maio, era filho
de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário
Trigueiro Pimentel.
«Depois de passar pelos Liceus da Horta e de Angra do
Heroísmo, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde
se licenciou em 1929.
Em 1930, casou-se com Dr.ª Maria Francisca Paes Dias Freitas
Pimentel, tendo o casal fixado residência na cidade da Horta,
onde viveu o resto da sua vida.
Aí, para além de profissionalmente ter exercido medicina
desenvolveu uma intensa acção de natureza política.
Depois de ter militado na oposição com Manuel José
da Silva e outros faielenses, foi nomeado em 7 de Agosto de 1935,
Vice-Governador Civil do distrito. Em 28 de Novembro de 1945 foi
nomeado Presidente da Câmara Municipal da Horta cargo que
desempenhou com grande dinamismo e competência. Por esse motivo,
foi nomeado Governador Civil do Distrito da Horta em 30 de Junho
de 1953, cargo que exerceu com elevada capacidade política
durante 18 anos. Em 1973, foi eleito Deputado pelo Circulo Eleitoral
da Horta Assembleia Nacional, cargo que exerceu até 25 de
Abril de 1974.
Dos muitos empreendimentos que levou a efeito no desenvolvimento
das populações do Distrito da Horta, para além
dos vistos de emigração que conseguiu por ocasião
do vulcão dos Capelinhos de 1957, destacam-se as seguintes
grandes obras:
- a construção do Aeroporto da Horta, da Avenida Marginal
da Horta, do Aeroporto das Flores, do Hospital das Flores, da Central
Hidroeléctrica das Flores e respectiva rede de distribuição;
- a ampliação das redes de estradas e de águas
das ilhas do Faial, Pico, Flores, e Corvo.
Faleceu em 14 de Abril de 1981».”
(José Arlindo A. Trigueiro, Horta, 14 de Junho de 1999) |