| Padres
que paroquiaram na freguesia da Fazenda:
O
Padre Francisco Cristiano Korth (1881-1946), natural
da freguesia da Caveira, concelho de Santa Cruz das Flores, era
filho de Francisco de Freitas Coelho (agricultor) e de Leocádia
Vitorino Korth (doméstica).
Em 1896, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo,
onde se distinguiu com brilhantismo, tendo merecido o respeito e
a admiração dos seus colegas e professores. Em 1905,
concluiu o seu curso e, pela festa em honra do Senhor Bom Jesus,
da sua freguesia natal, proferiu o seu primeiro sermão, bastante
apreciado por todos os fiéis presentes.
Na Igreja dessa localidade, a 28 de Janeiro do ano seguinte, celebrou
a sua Missa Nova, em solene Festa Eucarística, na presença
de familiares e amigos.
Em 13 de Fevereiro de 1906, foi nomeado para o, então, curato
da Fazenda, sendo o seu primeiro sacerdote, cuja Igreja havia sido
concluída nesse mesmo ano. Aí, depois da cerimónia
da bênção da respectiva Igreja, efectuada em
25 de Março pelo ouvidor das Lajes, Padre Filipe José
Madruga, celebrou a Eucarística e foi o pregador, tendo-o
feito de forma brinhante e arrebatadora. Aqui se manteria o resto
da sua vida, cumprindo com invulgar capacidade e competência,
as exigências sacerdotais do seu múnus espiritual,
falecendo, inesperadamente, em 16 de Janeiro de 1946, depois de
uma carreira modelar.
Sempre preocupado em conquistar as boas graças da Igreja
Católica, o Padre Korth, após a revolução
do Estado Novo, assumiu em 1929, o cargo de Administrador do Concelho
de Lajes das Flores, lugar que ocupou por vários vezes e
que terá desempenhado com isenção e justiça.
Era um excelente orador, considerado um dos melhores e prestimosos
pregadores da Diocese, fazendo-o com a visada prudência, actualização
constante e irrepreensível exigência, seguindo sempre
com rigor a doutrina e as orientações hierárquicas
da Igreja. Era um excelente mestre no português e no latim.
Dotado de grande personalidade e talento, quer pela sua cultura,
quer pelo seu porte, bem como pelo respeito sacerdotal com que era
tido por todos os que com ele lidavam.
Vestia com rigor e com rigor se mantinha sempre sem se envolver
demasiado, respeitando todos para assim também ser respeitado
e admirado por aqueles que com ele conviviam, quer fossem colegas,
ou superiores hierárquicos, quer fossem simples paroquianos
ou amigos.
Assim, mantinha afável e instrutiva conversa com as populações,
sem com elas geralmente se sentar nos locais habituais de convívio,
conservando-se de certo modo distanciado, possivelmente para que
as suas palavras e os seus conselhos tivessem o máximo efeito.
Era ainda um excelente e credível conselheiro dos seus paroquianos
e amigos e, muito especialmente, de todos os que para esse efeito
o procuravam.
O
Padre José Maria Álvares (1914-1999),
nascido em 26 de Julho, no lugar da Fazenda, concelho de Santa Cruz
das Flores, era filho de António Maria Álvares (agricultor)
e de Maria da Conceição Álvares (doméstica).
Com apenas 13 anos de idade, em Outubro de 1927, ingressou no Seminário
de Angra, onde gozou de simpatia e estima por parte de colegas e
professores, sobretudo, devido ao seu modo de ser folgazão
e à lealdade que a todos transmitia.
Depois de ordenado presbítero na Sé Catedral de Angra
do Heroísmo, em 20 de Junho de 1937, celebrou a sua Missa
Nova na Igreja da sua terra natal, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes.
Aqui permaneceu até 29 de Junho de 1938, data em que foi
colocado na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores,
para aí substituir, temporariamente, o Padre Francisco Cristiano
Korth, na época, fora do País.
Em Maio de 1940, foi transferido para a freguesia de Cedros, do
concelho de Santa Cruz, onde se manteve durante cerca de 36 anos.
Como todas as revoluções fazem vítimas, o 25
de Abril de 74 fez com que o Padre José Maria Álvares
se exilasse, dois anos volvidos, em Newmark, na Califórnia.
Efectivamente, o mau ambiente que então lhe foi criado, por
vezes, por pessoas que havia considerado como suas amigas, desgostaram-no
e entristeceram-no de tal forma que influenciaram o seu desejo de
deixar o País, sobretudo a sua ilha das Flores.
É certo que essa situação se fez sentir numa
altura em que, já cansado e doente, por causa do trabalho
e do isolamento sentido durante muitos anos na freguesia de Cedros,
recusou as hipóteses de transferência que a hierarquia
lhe oferecera durante as décadas de 60 e 70.
Quando jovem, sempre demonstrou elevada inteligência, lealdade,
honestidade e bondade, características que o distinguiram
enquanto se manteve no exercício público da sua vida
sacerdotal. Bonacheirão por natureza, sempre irradiou simpatia
e humildade, sem sustentar rancores ou ressentimentos.
Era prestável e caridoso, sempre pronto a ajudar todos os
que dele careciam.
O seu falecimento ocorreu a 4 de Agosto de 1999, na cidade de Newmark,
onde vivia na companhia de duas das suas irmãs e da sobrinha,
criada como filha.
O
Cónego José Gonçalves Gomes (1926),
nascido em 8 de Setembro, na freguesia e concelho das Lajes, é
filho de José Francisco Gomes (agricultor) e de Luísa
Gonçalves Gomes (doméstica).
Em 2 de Outubro de 1940, matriculou-se no Seminário de Angra
do Heroísmo, onde tirou o seu curso de sacerdote.
Em 1 de Junho de 1952, era ordenado presbítero na Sé
Catedral de Angra e, no dia 22 do mês seguinte, celebrou a
sua Missa Nova, na Matriz da sua terra natal.
Foi nomeado vigário cooperador da paróquia da Matriz
de Santa Cruz das Flores, onde tomou posse em 19 de Março
de 1953. Para além do serviço sacerdotal, este padre
empreendedor, nesta Freguesia, integrou ainda o grupo de professores
que, em 3 de Outubro de 1959, criou o Colégio ou Externato
da Imaculada Conceição (hoje, Escola Padre Maurício
António de Freitas).
Em 8 de Outubro de 1960, foi nomeado pároco da freguesia
de Fajã Grande das Flores, assumindo também o serviço
sacerdotal do lugar da Ponta da Fajã. Aí se manteve
até 10 de Junho de 1965, data em que foi colocado na paróquia
da Fazenda das Lajes, na mesma Ilha.
Para além do seu serviço enquanto pároco, interessou-se
e colaborou ainda na recuperação e legalização
da Filarmónica União Portuguesa da Califórnia,
desta Freguesia quando, em 9 de Junho de 1971, obteve a aprovação
dos seus estatutos, onde entrou como sócio fundador.
Em 27 de Outubro de 1974, assumiu as funções de pároco
da freguesia dos Biscoitos e das Quatro Ribeiras, da ouvidoria da
Praia da Vitória; e, em 11 de Setembro de 1978, foi nomeado
para a paróquia de São Bartolomeu. Assim, durante
cerca de seis anos, desempenhou com competência e dignidade
as funções de Ouvidor. Simultaneamente, em 5 de Maio
de 1984, passou a ser Pároco Consultor da Diocese.
Durante seis anos, exerceu ainda o cargo de Presidente da Direcção
da irmandade de São Pedro ad vincula.
Em 27 de Março de 1991, foi nomeado Cónego do Cabido
da Sé de Angra, como corolário da sua competência
e da sua dedicação às actividades que profissionalmente
tem exercido, não obstante estas serem, por vezes, afectadas
por algumas crises de saúde. Em 30 de Abril do mesmo ano,
foi nomeado ainda Chanceler da Cúria Diocesana.
Dedicado e trabalhador, cumpre com rigor as orientações
da hierarquia, ao mesmo tempo que procura manter-se actualizado
relativamente às inovações da Igreja Católica.
Devido ao seu feitio delicado e simples, mantém sempre um
excelente relacionamento de convívio e amizade com as populações
das localidades por onde tem passado, o qual poderá, eventualmente,
ter sido prejudicado em virtude do seu precário estado de
saúde. Possuidor de uma forte personalidade, sustenta ao
mesmo tempo, um fino trato social, que lhe permite um relacionamento
fácil e amistoso.
O
Padre Guilherme António Pimentel (1929),
nascido a 23 de Abril na freguesia e concelho de Lajes das Flores,
é filho de Francisco José Pimentel (carpinteiro e
agricultura) e de Maria do Rosário da Ascenção
Pimentel (doméstica).
Em Outubro de 1942, ingressou no Seminário de Angra, tendo
sido ordenado sacerdote na Sé Catedral em 30 de Maio de 1954.
Celebrou a sua Missa Nova na Igreja Matriz de Lajes das Flores,
em 4 de Julho desse ano.
Começou a sua vida sacerdotal, trabalhando como vigário
cooperador na ilha do Corvo, onde foi colocado em 9 de Outubro do
mesmo ano.
Dois anos depois, foi nomeado pároco da Calheta de Nesquim
(concelho de Lajes do Pico), onde permaneceu durante cerca de dois
anos.
Em 4 de Setembro de 1958, tomava então posse da paróquia
de Santa Bárbara das Ribeiras, do mesmo concelho do Pico,
onde se manteve até ser nomeado pároco e ouvidor de
Santa Cruz da Graciosa, onde tomou posse em 18 de Outubro de 1969.
Por motivo de doença, passou para a cidade da Horta, onde
durante dois anos (1973 e 1974), para além de diversa colaboração
sacerdotal prestadas às paróquias da ilha do Faial,
leccionou ainda Religião e Moral no Liceu Nacional da Horta
e na Escola Técnica.
Como estava já com a saúde bastante recuperada, em
10 de Outubro de 1974, foi nomeado pároco das freguesias
da Fazenda, onde fixou residência, e da Lomba, ambas do concelho
de Lajes das Flores.
Para suprir as carências de padres da Ilha, a partir de 12
de Maio de 1983, viria a assegurar também o serviço
sacerdotal das paróquias do Lajedo e do Mosteiro (Lajes das
Flores), continuando a ter a seu cargo o serviço das paróquias
da Fazenda e da Lomba.
Em 26 de Novembro de 1989, foi nomeado Ouvidor Eclesiástico
do concelho de Lajes das Flores, cargo que exerceu com dedicação
e competência até 15 de Dezembro de 1992.
Entretanto, em 30 de Junho de 1990, foi-lhe emitida Provisão
para paroquiar apenas nas freguesias da Fazenda, Lajedo e Mosteiro.
Contudo, na sequência da morte do Padre António Joaquim
Inácio de Freitas, em 18 de Junho do ano seguinte, passou
a ter também a seu cargo a paróquia da Fajãzinha.
Eficiente orientador de empreendimentos, o Padre Pimentel é
também um excelente executor de marcenaria, quer de obras
naturais, quer de miniaturas. Destacam-se as reparações
e beneficiações que levou a efeito em diversas igrejas
por onde passou, designadamente, Santa Barbara das Ribeiras, na
ilha do Pico, na Fazenda e no Mosteiro, na ilha das Flores.
Não obstante o seu feitio reservado e esquivo, por onde passou,
deixou sempre muitas amizades, pela forma simpática, humilde
e delicada como exerce a sua actividade sacerdotal e cultiva o seu
relacionamento pessoal. O mesmo se poderá dizer do exercício
das aulas que ministrou, no qual sempre procurou a diversidade das
matérias que anticipadamente planificava para o efeito.
Para além de ter proferido conferências sobre diversos
temas, nomeadamente durante as Festas do Emigrante, é um
profano estudioso da história social da ilha das Flores,
tendo publicado sobre o assunto, os seguintes trabalhos de investigação,
na Revista Municipal de Lajes das Flores: “Romarias e
Romeiros” (1995), “Livro dos Sinais do Concelho
das Lajes das Flores” (1997) e “Como os Pais
Legam aos Filhos Tempo de Legar à História”
(1997).
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