ÓRGÃOS AUTÁRQUICOS

EXECUTIVO DA FREGUESIA

Presidente: António Eduíno Valadão Eduardo
Secretário: Francisco Avelar Henriques
Tesoureiro: António Armando Pedro Custódio

PARÓQUIA DE FAJÃZINHA

ORAGO: Nossa Senhora dos Remédios

HISTORIAL

A freguesia de Fajãzinha, uma das menos povoadas do concelho de Lajes das Flores, dista, aproximadamente, quinze quilómetros da sua sede concelhia.
Localizada na costa ocidental da ilha das Flores, ao sul da freguesia de Fajã Grande, estende-se por um planalto irregular, que encerra entre mistérios e tradições, quatro enormes e maravilhosas crateras denominadas Lagoa Funda (com cerca de 108 metros de profundidade), Lagoa Comprida, Lagoa Branca e Lagoa Seca.
A Freguesia é atravessada pela Ribeira Grande, a maior corrente cristalina da ilha das Flores, que, apesar de bela e majestosa, provocou no passado, inúmeras inundações, tal como o Padre José António Camões refere na sua obra Roteiro Exacto da Costa da Ilha: “Passado aquela povoação encontra-se logo a Ribeira Grande, que divide a freguesia, (...) e se encareceo a sua força e impetuosidade que certamente é grande. Cai a dicta ribeira de uma formidavel cachola, eminente à freguesia da Fajanzinha, a que dão de altura 200 braças: e caida; ven successivamente encorporar-se e ajuntar-se a ella todas as agoas da rocha, que serve de demarcação à freguesia, desde leste a sueste, e vem a ser a ribeira dos ferreiros, 4 grotas, sem nome na rocha chamada – a Rocha do Velho, a grota do Enchente, cujas águas engrossão e infurecem tanto que de inverno, e ainda mesmo havendo chuvas, de verão a fazem invadeavel”.
A título de curiosidade, regista-se que em 1789, sob a orientação do juiz de fora José Gonçalves da Silva, foi construída uma ponte de pedra sobre a Ribeira Grande, uma construção formidável para a época mas que ficou, para a História, como “a ponte da má memória”, tal como o Padre Camões elucida: [Houve tal inundação e enchente em 1794] que não só derrubou a dicta ponte, mâs nem sequer ao menos della ficou o menor vestigio, sem rasto, saindo de seo leito natural a dicta ribeira que no desembocar no mar deixou um areal largo em maior distancia de 300 braças com uma perda inextimavel dos pobres lavradores que possuião terras a ella contiguas, que todas ao mar foram derregadas”.
Administrativamente, Fajãzinha integrou sempre o concelho de Lajes das Flores. Entre os anos de 1895 e 1898, período em que este foi suprimido, fez parte do município de Santa Cruz das Flores.
Desde sempre, esta Freguesia desempenhou um importante papel administrativo no conjunto da Ilha, já que ela foi, desde o longínquo ano de 1676, sede paroquial das Fajãs, englobando os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro, sob o orago de Nossa Senhora dos Remédios. Só em 1850, o Mosteiro e a Caldeira ascenderam a Freguesia e, já em 1861, foi a vez de Fajã Grande e Ponta Delgada das Flores recebera tal privilégio.
Esta região pitoresca e repleta de tradições foi ainda abençoada por paisagens naturais dignas de um verdadeiro paraíso. Perante tal sublimidade, João Vieira fez a seguinte descrição: “Na encosta íngreme do vale, a mão do homem, com muito suor, construiu a sua igreja e as casas, abriu o caminho onde penosamente deslizaram ‘corsões’ (zorras), meio de comunicação com o resto da ilha. Admirável exemplo da implantação no terreno em harmonia com a paisagem. Visto do alto, o casario, talvez por ciúme, corre para o mar, acompanhando a Ribeira Grande, que por mais de quatro séculos abasteceu de aguadas a navegação que sulcou os mares entre o Velho e Novo Mundo. Entre searas de milho que circundam o casario branco, uma estrada de asfalto negro serpenteia entre a verdura. Se o paraíso bíblico tivesse existido à beira-mar ... bem poderíamos pensar que este recanto lhe pertenceu ...”

  Produção - Câmara Municipal das Lajes das Flores