| TRADIÇÕES
Danças e Cantares: Fazem parte da memória
dos mais velhos, os serões bem passados com modas características
da ilha das Flores, como a Chamarrita ou os Pézinhos (modas
que se dançavam durante algumas tarefas comunitárias,
como o cardar da lã das ovelhas, para se confeccionarem as
roupas e mantas que se usava durante o Inverno), a Rema, a Tirana,
a Ciranda, ou o Matias Leal, que faziam as alegrias das festas populares,
desde o século XVIII.
Rema
(século XVIII)
Rema
para lá, lanchinha,
Rema para lá, lanchinha,
Rema que rema,
Lanchinha de quatro remos
Rema que rema
Lanchinha de quatro remos
Matias
Leal
Matias
Leal
Toda a noite andou
C’um rato na boca
E nunca o matou.
Matias
Leal
Tem um chafariz,
A mãe leva o rato
E a filha o nariz.
Matias
Leal
De barriga ao sol...
Vai ao mar pescar,
Mas não leva anzol.
Matias
Leal
Ó cão laparoso!
Posto na janela,
Barbas de tinhoso.
Matias
Leal
Tem uma atafona,
Onde a burra mói
Mai-la sua dona.
E
se a burra mói,
Deixá-la moer!
E se ela não sabe,
É para aprender.
Ou
Matias
Leal
Toda a noite andou
C’um rato no cachuço
E nunca o apanhou
Matias
Leal
Toda a noite grita:
Que a filha mais velha
Que é uma cabrita.
Matias
Leal
Toda a noite chora:
Que o filho mais velho
Quer le dar una nora.
Trajes Característicos: De acordo com documentos
antigos desta região, recuperam-se algumas peças de
vestuário, como o capote, o capote redondo, o xaile, o mantim,
os vestidos de chita, as calças de cotim, os casacos do tear
e os tamancos de madeira, cuja tradição remonta ao
século XVIII.
Jogos
e Brinquedos Tradicionais: De acordo com as memórias
dos mais velhos, recuperam-se os jogos do pião, do eixo,
das pedrinhas e do lenço que, durante a década de
30 eram motivo de diversão quando das festas do Espírito
Santo ou dos intervalos da escola.
Por outro lado, recuperaram-se igualmente alguns brinquedos, como
as bonecas de trapos, que fizeram parte do imaginário dos
nossos avós.
GASTRONOMIA
Pratos
Típicos: São iguarias da Freguesia, Enchidos,
Carne de Porco Salgada, Marisco, Lapas, Peixe, Pão de Milho,
Bolo de Milho, Batata Doce e Inhame.
Doces
Tradicionais: Fazem parte da confeitaria da Freguesia,
para além do Arroz Doce e Bolos Caseiros, Pão Doce
e Filhós, cujas receitas se descrevem de seguida:
Pão
Doce:
Ingredientes: 3 kg de farinha; 1 dúzia de ovos;
1 kg de açúcar; ¼ de kg de manteiga; 1 canteira
de fermento de pão, raspa de 1 limão e leite q.b.
Preparação: Amassa-se tudo muito bem e acrescenta-se
um pouco de leite para ajudar a ligar a massa. Estende-se de seguida
a massa para levedar e depois, está pronta a cozer, durante
cerca de 45 minutos.
Filhós:
Ingredientes: 1 kg de farinha, ¼ kg de açúcar,
125 g de manteiga, 1 limão, 6 ovos ( por cada kg de farinha).
Preparação: Misturam-se todos os ingredientes
para se formar uma pasta bem ligada que, depois de bem amassada,
deve ficar a repousar para levedar. Posto isso, tende-se a massa
e fazem-se pequenas bolinhas sobre uma toalha polvilhada de farinha.
Deixa-se a levedar por mais algum tempo e, depois, são fritas
em óleo bem quente.
ARTESANATO
As
peças de artesanato, cada vez mais apreciadas por naturais
e estrangeiros, funcionam como cartão de visita de cada região,
uma marca presente de um passado que tende a ser esquecido. Neste
sentido, em Fajã Grande, permanecem vivas algumas artes antigas
como as de cestaria em vime; de confeccionar tapetes em casca de
milho, rendas ou belos bordados em linho; e de manufacturar flores
em miolo de hortênsia.
“Se, ao natural, as hortênsias são o símbolo
de beleza e cor, que anda de mãos dadas com a imagem dos
Açores, os finíssimos artefactos feitos com o miolo
dos seus troncos personificam toda a capacidade criativa e a imensa
habilidade manual das gentes deste Arquipélago. E simbolizam,
também, perseverança, tranquilidade e paciência
na preparação e na utilização desta
matéria-prima, trabalhada de forma análoga ao feito
com o miolo de figueira. Não é fácil de preparar
nem de trabalhar o miolo de hortênsias e, por isso, só
alguns poucos ainda se dedicam a perpetuar esta arte, com ela fazendo
flores e folhas, de coloração levemente marfinada,
que originam composições florais de beleza incomum”.
Contactos:
- Maria Alice de Freitas Nunes Azevedo – Apartado 27 –
9970 Santa Cruz das Flores (tel.: 292 593 256)
- Maria da Assunção Nunes Azevedo – 9960 Fazenda
(tel.: 292 593 256) |